SOBRE UMA NUCA

Eu observo de longe.
Respiro.

Eis que surge a tempestade de cheiros.
E com ela, vontade de pegar.
Tocar.
Lamber.
Morder.
Sorver.
Consumir.
E absorver.

De ter pra mim.

Paro.
Travo a respiração.
E me lembro de até onde as convenções me permitem ir.
E respiro de leve.
Mas o cheiro volta.

E com ela a vontade de pegar e tocar e lamber e morder e sorver e consumir e e absorver.

Pra mim. E só pra mim.

Pisco e me vejo, tocando de leve.
Acariciando com delicadeza.

Imagino um espelho a nossa frente, e nele os olhos fechados com o prazer de ser tocado por mim.

Abro o olho,
Respiro
E volto à rotina.

Com o cheiro, que tenho seguido esses dias,
Eu convivo.

Ou é ele a mim?

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